Exposições

Outros Possíveis São Possíveis

Outros Possíveis São Possíveis

Marcela Gontijo

Individual Marcela Gontijo

Outros Possiveis Sao Possiveis 


Entre dissolucoes e aparicoes 
A obra de Marcela Gontijo nessa exposicao o resultante de um paradoxo: parte de uma desconstrucao para a criacao de um acontecimento poetico regido por uma alta potencialidade. No recorte e uniao de fragmentos de fotografias, a artista constroi uma nova paisagem. Com esse procedimento, poe em duvida o nosso olhar e percepcao sobre o que significa esse campo chamado paisagem. Nao devemos, portanto, aguardar por algo representativo do real mas poesias reveladoras de um lugar ou tempo que permanecia a margem, e que na sua aparicao ao mundo resulta em potencia e se insere como marco de investigacao no trabalho da artista. Em um mundo saturado de imagens (efemeras), Gontijo atraves de uma tecnica usual e aparentemente simples nos revela e acentua a sua diferenca num ambiente mergulhado em imagens do que deveriamos ser para tornarmo-nos felizes, mais bonitos ou bem-sucedidos. 

A construcao de Gontijo nao diz respeito apenas a fragmenta-lo e uniao de partes distintas, que nesse embaralhamento imagetico criam um aspecto de paisagem, mas a criacao de uma figura geometrica que constitui o plano onde essas dissolucoes ocorrem. Sao, portanto, dois campos de experimentacao para a colagem abstrato-geometrica da artista. Esta modalidade de ocupacao nos faz supor como Gontijo lida com espacos construidos, com certas hierarquizacoes e condicoes de modelos pre-estabelecidos, com nossos habitos espaciais que acabaram conduzindo a um resultado surpreendente: o que pode parecer exercicio formalista, na verdade constitui-se em uma atividade critica plena de significados, a enfase a dada nao as formas em si, mas ao significado da organizacao plastica. Seu metodo de ocupacao plastico desorganiza, desconstroi a ordem estabelecida, evidenciando que esta oculta algo que reprime. 

Gontijo cria um espaco que deixou de ser lugar de representacao para se tornar ambiente de acao. Portanto, essa vontade de subverter se confunde muito com uma vontade de ficar indiferente aos movimentos do mundo. Nesse anseio, a artista inaugura uma familia de ideias novas. Nao e mais uma ideia que se acrescenta a quantidade de ideias no mundo; mas uma ideia que duvida de todas as outras ideias. Estamos diante de uma producao que possui uma especie de elasticidade organica que a impulsiona no sentido da producao de novas formas, ha uma compulsao a proliferacao: a narrativa de suas obras nao se esgota, se desdobra. 

Felipe Scovino