Exposições

Estado de Sitio

Estado de Sitio

Arthur Arnold

Individual Arthur Arnold

Estado de Sitio e o instrumento atraves do qual o Chefe de Estado suspende temporariamente os direitos e as garantias dos cidadaos, os poderes legislativo e judiciario sao submetidos ao executivo, tudo como medida de defesa da ordem publica. Para a decretacao do estado de sitio, o Chefe de Estado, apos ouvir o Conselho da Republica e o Conselho de Defesa Nacional, submete o decreto ao Congresso Nacional a fim de efetiva-lo. A tomada dessa decisao pode ser decretada com o prazo maximo de 30 (trinta) dias, salvo nos casos de guerra, pois ela podera acompanhar o periodo de duracao da guerra. Ela tambem pode ser decretada em casos extremos de grave ameaca a ordem constitucional democratica ou de calamidade publica.(Arts. 137 a 141 da CF) 


Dai, a pergunta: Atualmente, nao estariamos vivendo em um Estado de Sitio? 


Essa e uma das questoes que nos acompanham desde as manifestacoes de junho de 2013 ate os dias de hoje, periodo em que protestar parece ter se tornado crime. A policia e coercitiva, os manifestantes sao tratados como vandalos e o Poder de Policia alega estado de excecao para burlar a constituicao. A repressao corre a solta e o Estado finge nao ver aquilo que esta a sua frente, deixando para a Anistia Internacional a decisao de manifestacao. 


E a respeito desse cenario que Arthur Arnold apresenta a exposicao Estado de Sitio, pronunciando-se com imagens de protesto, violencia, desigualdade, discriminacao, abuso de poder, mutacoes simbolicas, opressao e criminalidade. Trata-se de uma mostra de pintura e sobre pintura, de um artista que vive e trabalha no mesmo contexto de suas imagens. Reflexo direto das ruas do Rio de Janeiro, cidade maravilhosa sede da Copa do Mundo 2014 e das Olimpiadas de 2016, ou melhor, cidade do turismo sexual, do superfaturamento das obras publicas, da desapropriacao de favelas, dos manifestantes presos por formacao de quadrilha, em um pais emergente, subdesenvolvido, marcado pela corrupcao, ma administracao politica e de interesses unilaterais. 


Arnold nos exibe uma producao que explora com intensidade tanto as camadas politicas como pictoricas da arte. Sao pinturas que incitam o espectador a refletir sobre aquilo que muitos preferem fechar os olhos. Trabalhos que conquistam o espectador atraves de sua excel�ncia formal (composicao, cor e gesto), para entao incitar a uma meditacao conceitual e brutal do que e visto dentro e fora da galeria de arte. Neste caso, o que se apresenta dentro do cubo branco e um espelhamento da rua.


Ha uma relacao direta entre o que o artista vive, pinta e apresenta. Sua pesquisa comeca na rua, observando o espaco publico em busca de modelos vivos, de objetos, luz e arquitetura. Assuntos que em um segundo momento sao transpostos para a tela, ora em tinta acrilica e ora em tinta a oleo, como colagens mentais que vao sobrepondo imagens uma apos a outra ate atingirem o limite entre a ficcao e a realidade. Pois se vivemos no linear de estar ou nao em um Estado de Sitio, essa ambivalencia segue latente na exposicao. 


Curadoria de Paula Borghi /  1986, Sao Paulo-SP. Critica de arte, curadora da Residencia de Arte da Red Bull, idealizadora do PROJECTO MULTIPLO de arte impressa, foi integrante do grupo de critica do CCSP (Centro Cultural Sao Paulo) de 2011-2013 e do Paco das Artes Sao Paulo 2012-2013. Desenvolve desde 2010 trabalhos e pesquisas em espacos independentes e residencias de arte na America Latina.